Segundo Reinado e Crise do Império
Prof.ª
Ma. Letícia Siabra- História, 2020- 9º Ano.
Resumo.
Neste
texto, retomaremos alguns pontos do Segundo Reinado, para assim, podermos
entender como a Crise do Império contribuiu para o desgaste político que
possibilitaria o golpe que daria início à República no Brasil em 1889.
Como se estabeleceu o Segundo Reinado?
Liberais
e Conservadores disputam privilégios
Descontentes
com a predominância dos Conservadores no poder durante o Período Regencial, os
Liberais articulam para o Golpe da Maioridade de Pedro de Alcântara, aos 14
anos.
Em 23 de julho de 1840, a Assembleia
declara sua maioridade e ele se torna Dom Pedro II. Inicia-se uma alternância
entre Liberais e Conservadores pelos 48 anos seguintes.
No
entanto, o imperador toma medidas centralizadoras que vão em sentido oposto ao
Ato Adicional de 1834 o qual afirmava na Constituição de 1824, algumas medidas
favoráveis aos Liberais.
O
governo de D. Pedro II conseguiu controlar várias revoltas, no entanto,
enfrentou uma das mais fortes disputas do período, a Revolução Praieira de
1848: que se iniciou com as disputas entre Liberais e Conservadores, mas teve
apoio popular por que; "além de motivos políticos, havia também motivações
econômicas e sociais."(SER PROTAGONISTA, p.247).
Os Barões do Café
O
café se torna o "Ouro verde" do Brasil
Com
um governo fortemente centralizado, D. Pedro II, apazígua Conservadores e
Liberais, alternando estes grupos no poder e oferecendo certa autonomia para as
províncias.
No final do Século XVIII, com a queda da
produção açucareira, o governo imperial investe na produção agroexportadora de
café no sistema de plantation. Os
barões do café dominam a cena política, e, o café se torna o principal produto
de exportação brasileiro.
Para
isso, o investimento em ferrovias foi essencial, já na segunda metade do século
XIX.
Um
dos principais investidores nesse setor (além de investimentos em portos,
iluminação a gás, telégrafos, dentre outros) foi o Barão de Mauá.
Com o fim do Império, este tem seus
empreendimentos prejudicados.
A
economia nos tempos do Imperador
- ü Deslocamento
do centro econômico do Nordeste para o Sudeste;
- ü Café:
principal artigo de exportação do país
- ü Fazendas
de café: RJ e SP.
- ü Açúcar:
2º produto de exportação.
- ü Algodão:
3º produto de exportação.
- ü Fins
do Século XIX: borracha da Amazônia.
- ü 1844:
déficits na balança comercial do Brasil- o governo gastava mais com a
importação do que arrecadava em exportação.
- ü Os
produtos manufaturados vinham do exterior.
- ü Resultado:
aumento dos impostos sobre as importações (Tarifas Alves Branco)
- ü Incentivo
à industrialização (impulso a partir de 1880)
- ü Empréstimos
vindo da Inglaterra.
As pressões contra o tráfico de
escravizados
- § Pressões
econômicas
A
Inglaterra pressionava o governo imperial pelo fim da escravidão, já que tinha
interesse em expandir seu mercado consumidor.
Leis
contra a escravidão:
- ü 1845
Lei Bill Aberdeen: Inglaterra proíbe o tráfico de escravizados africanos pelo
Atlântico.
- ü 1850
Lei Euzébio de Queiroz: fim do tráfico negreiro.
- ü 1871
Lei do Ventre-Livre: considerava livre todos os filhos de mulher escravizada,
nascidos a partir desta data.
- ü 1885
Lei dos Sexagenários: liberdade aos escravizados com mais de 60 anos.
- ü 1888 Lei Áurea: Princesa regente do Brasil, Dona Isabel, assina a abolição completa da escravidão no Brasil
- Pressões sociais
“Os
próprios escravos contribuíram de forma decisiva para acelerar o processo do
fim da escravidão”, diz o historiador Ricardo Tadeu Caires Silva, professor da
Universidade Estadual do Paraná, que encontrou o caso dos seis escravos na
seção judiciária do Arquivo Público do Estado da Bahia. “A abolição foi feita
muito mais por uma pressão das ruas, das senzalas, do que por uma decisão
política com base na bondade.” (Fonte: BBC Brasil.
Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/resources/idt-sh/lutapelaabolicao
Acesso em: mai.2020)
Dentre
as formas de resistência, além de pressões do movimento abolicionista, de
revoltas contra os senhores de escravos e ações judiciais, podemos citar: o
banzo e os quilombos, como parte importante neste processo:
Formas de resistência
- § O
banzo
Nos
primeiros anos da escravidão negreira no Brasil, uma forma comum de resistência
dizia respeito ao Banzo, que nas palavras de Emilio Gennari;
"definido
como profunda saudade da África, descreve a situação em que o negro cai em
depressão, se recusa a trabalhar e a comer, definhando muitas vezes até a
morte. Mais do que expressão de um sentimento para com a terra natal, essa situação
se configura como uma forte rejeição da condição estranha e hostil na qual o
africano é mergulhado, a tal ponto de não permitir ao escravo nenhuma
identificação com o espaço físico, com o grupo dos que partilham a sua sorte e,
menos ainda, com o universo opressor do branco."(GENNARI,
2008, p.30)
- § O
quilombo
A
forma de resistência contra a escravidão, mais conhecida e duradoura, que se
tem notícias, diz respeito aos quilombos, que nas palavras de Gennari;
"A
palavra quilombo [...] é a incorporação à língua portuguesa de um termo
africano que significa esconderijo. No Brasil, se torna sinônimo de núcleo de
escravos fugidos que procuram abrigo em locais de difícil acesso para neles
construírem padrões africanos de organização
social."(
GENNARI, 2008, p.32)
Para
mais informações sobre os quilombos, ver Biblioteca Nacional Digital Brasil.
Disponível em: https://bndigital.bn.gov.br/dossies/trafico-de-escravos-no-brasil/resistencia-negra-a-escravidao/
Acesso: maio,2020.
Fatores que contribuíram para a crise do
Império no Brasil
Vários fatores contribuíram para o agravamento da crise do Império no Brasil:
- ü As
ideias abolicionistas ganharam força a partir de 1880;
- ü Após
a Guerra do Paraguai (1864-1870), muitos militares que haviam lutado ao lado
dos escravizados aderiram à causa abolicionista;
- ü Desgaste
entre a Igreja Católica e os maçons;
- ü Reivindicação
de direitos por parte dos militares;
- ü Influência
dos ideais positivistas.
A questão dos imigrantes
- § Imigrantes
no Brasil
Com
a campanha abolicionista, a escravidão ruindo no Brasil e o café em ascensão, o
governo brasileiro incentiva a prática do colonato
e a vinda de imigrantes para trabalhar nas lavouras de café em São Paulo, e
para o restante do país.
“Com
a criação do colonato, o trabalhador passou a ser pago em parte por tarefa
executada, e em parte, pelo que foi colhido. Além disso, havia espaço para os
colonos se dedicarem a uma lavoura de subsistência. Esse sistema foi adotado na
maioria das fazendas, como resultado de anos de conflitos em torno dos
contratos e das condições de trabalho”.
(SER PROTAGONISTA, p.249).
Baseados
na teoria do “branqueamento das raças”, o governo imperial e a elite brasileira
incentivam a vinda de imigrantes europeus (principalmente), que são envolvidos
em dívidas sob o pretexto de “fazer a América”. Maus tratos e castigos geraram
fugas e revoltas.
Referências Bibliográficas
BBC
Brasil. Luta pela Abolição. Disponível em: BBC Brasil. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/resources/idt-sh/lutapelaabolicao
Acesso em: mai.2020
BIBLIOTECA
NACIONAL DIGITAL BRASIL. Disponível em: https://bndigital.bn.gov.br/dossies/trafico-de-escravos-no-brasil/resistencia-negra-a-escravidao/
Acesso: maio,2020.
ENSINAR
HISTÓRIA. Barão De Guaraciaba. *1826, +1901. Disponível em: https://ensinarhistoriajoelza.com.br/um-barao-negro-no-imperio/
Acesso:mai.2020
ESTUDO
PRÁTICO. Barão De Mauá. *1813,+1889. Disponível em: https://www.estudopratico.com.br/visconde-de-maua-historia-de-irineu-evangelista-de-sousa/
Acesso: mai.2020.
GENNARI,
Emilio. Em Busca da liberdade; traços das lutas escravas no Brasil. 1 ed, São
Paulo: Expressão Popular, 2008.
RODRIGUES,
Jaime. O infame comércio; propostas e experiências no final do tráfico de
africanos para o Brasil (1800-1850), Campinas, SP: UNICAMP/CECULT, 2000.
SEGUNDO
REINADO. Disponível em: https://blogdoenem.com.br/periodo-regencial-historia-enem/
Acesso em: mai.2020
SER
PROTAGONISTA. História, 2º ano, 2 ed, São Paulo: Edições SM, 2013, pp;244-258.
(Ensino Médio- Conteúdo adaptado)
VICENTINO,
Cláudio. Teláris História. 9º ano. 1ed, São Paulo: Ática, 2018, pp.48-72.