sexta-feira, 22 de maio de 2020


Segundo Reinado e Crise do Império

Prof.ª Ma. Letícia Siabra- História, 2020- 9º Ano.

Resumo.
Neste texto, retomaremos alguns pontos do Segundo Reinado, para assim, podermos entender como a Crise do Império contribuiu para o desgaste político que possibilitaria o golpe que daria início à República no Brasil em 1889.


Como se estabeleceu o Segundo Reinado?
Liberais e Conservadores disputam privilégios

Descontentes com a predominância dos Conservadores no poder durante o Período Regencial, os Liberais articulam para o Golpe da Maioridade de Pedro de Alcântara, aos 14 anos.
Em 23 de julho de 1840, a Assembleia declara sua maioridade e ele se torna Dom Pedro II. Inicia-se uma alternância entre Liberais e Conservadores pelos 48 anos seguintes.
No entanto, o imperador toma medidas centralizadoras que vão em sentido oposto ao Ato Adicional de 1834 o qual afirmava na Constituição de 1824, algumas medidas favoráveis aos Liberais.
O governo de D. Pedro II conseguiu controlar várias revoltas, no entanto, enfrentou uma das mais fortes disputas do período, a Revolução Praieira de 1848: que se iniciou com as disputas entre Liberais e Conservadores, mas teve apoio popular por que; "além de motivos políticos, havia também motivações econômicas e sociais."(SER PROTAGONISTA, p.247).

Os Barões do Café
O café se torna o "Ouro verde" do Brasil

Com um governo fortemente centralizado, D. Pedro II, apazígua Conservadores e Liberais, alternando estes grupos no poder e oferecendo certa autonomia para as províncias.
No final do Século XVIII, com a queda da produção açucareira, o governo imperial investe na produção agroexportadora de café no sistema de plantation. Os barões do café dominam a cena política, e, o café se torna o principal produto de exportação brasileiro.
Para isso, o investimento em ferrovias foi essencial, já na segunda metade do século XIX.

Um dos principais investidores nesse setor (além de investimentos em portos, iluminação a gás, telégrafos, dentre outros) foi o Barão de Mauá.
Com o fim do Império, este tem seus empreendimentos prejudicados.




 A economia nos tempos do Imperador

  • ü  Deslocamento do centro econômico do Nordeste para o Sudeste;
  • ü  Café: principal artigo de exportação do país
  • ü  Fazendas de café: RJ e SP.
  • ü  Açúcar: 2º produto de exportação.
  • ü  Algodão: 3º produto de exportação.
  • ü  Fins do Século XIX: borracha da Amazônia.
  • ü  1844: déficits na balança comercial do Brasil- o governo gastava mais com a importação do que arrecadava em exportação.
  • ü  Os produtos manufaturados vinham do exterior.
  • ü  Resultado: aumento dos impostos sobre as importações (Tarifas Alves Branco)
  • ü  Incentivo à industrialização (impulso a partir de 1880)
  • ü  Empréstimos vindo da Inglaterra.
 
As pressões contra o tráfico de escravizados

  • §  Pressões econômicas


A Inglaterra pressionava o governo imperial pelo fim da escravidão, já que tinha interesse em expandir seu mercado consumidor.
Leis contra a escravidão:
  • ü  1845 Lei Bill Aberdeen: Inglaterra proíbe o tráfico de escravizados africanos pelo Atlântico.
  • ü  1850 Lei Euzébio de Queiroz: fim do tráfico negreiro.
  • ü  1871 Lei do Ventre-Livre: considerava livre todos os filhos de mulher escravizada, nascidos a partir desta data.
  • ü  1885 Lei dos Sexagenários: liberdade aos escravizados com mais de 60 anos.
  • ü  1888 Lei Áurea: Princesa regente do Brasil, Dona Isabel, assina a abolição completa da escravidão no Brasil

  •       Pressões sociais

Os próprios escravos contribuíram de forma decisiva para acelerar o processo do fim da escravidão”, diz o historiador Ricardo Tadeu Caires Silva, professor da Universidade Estadual do Paraná, que encontrou o caso dos seis escravos na seção judiciária do Arquivo Público do Estado da Bahia. “A abolição foi feita muito mais por uma pressão das ruas, das senzalas, do que por uma decisão política com base na bondade. (Fonte: BBC Brasil. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/resources/idt-sh/lutapelaabolicao  Acesso em: mai.2020)
Dentre as formas de resistência, além de pressões do movimento abolicionista, de revoltas contra os senhores de escravos e ações judiciais, podemos citar: o banzo e os quilombos, como parte importante neste processo:

Formas de resistência
  • §  O banzo

Nos primeiros anos da escravidão negreira no Brasil, uma forma comum de resistência dizia respeito ao Banzo, que nas palavras de Emilio Gennari;
"definido como profunda saudade da África, descreve a situação em que o negro cai em depressão, se recusa a trabalhar e a comer, definhando muitas vezes até a morte. Mais do que expressão de um sentimento para com a terra natal, essa situação se configura como uma forte rejeição da condição estranha e hostil na qual o africano é mergulhado, a tal ponto de não permitir ao escravo nenhuma identificação com o espaço físico, com o grupo dos que partilham a sua sorte e, menos ainda, com o universo opressor do branco."(GENNARI, 2008, p.30)

  • §  O quilombo

A forma de resistência contra a escravidão, mais conhecida e duradoura, que se tem notícias, diz respeito aos quilombos, que nas palavras de Gennari;
"A palavra quilombo [...] é a incorporação à língua portuguesa de um termo africano que significa esconderijo. No Brasil, se torna sinônimo de núcleo de escravos fugidos que procuram abrigo em locais de difícil acesso para neles construírem padrões africanos  de organização social."( GENNARI, 2008, p.32)

Para mais informações sobre os quilombos, ver Biblioteca Nacional Digital Brasil. Disponível em: https://bndigital.bn.gov.br/dossies/trafico-de-escravos-no-brasil/resistencia-negra-a-escravidao/  Acesso: maio,2020.

Fatores que contribuíram para a crise do Império no Brasil
Desgaste político

         Vários fatores contribuíram para o agravamento da crise do Império no Brasil:
  • ü  As ideias abolicionistas ganharam força a partir de 1880;
  • ü  Após a Guerra do Paraguai (1864-1870), muitos militares que haviam lutado ao lado dos escravizados aderiram à causa abolicionista;
  • ü  Desgaste entre a Igreja Católica e os maçons;
  • ü  Reivindicação de direitos por parte dos militares;
  • ü  Influência dos ideais positivistas.
 
A questão dos imigrantes

  • §  Imigrantes no Brasil

Com a campanha abolicionista, a escravidão ruindo no Brasil e o café em ascensão, o governo brasileiro incentiva a prática do colonato e a vinda de imigrantes para trabalhar nas lavouras de café em São Paulo, e para o restante do país.
Com a criação do colonato, o trabalhador passou a ser pago em parte por tarefa executada, e em parte, pelo que foi colhido. Além disso, havia espaço para os colonos se dedicarem a uma lavoura de subsistência. Esse sistema foi adotado na maioria das fazendas, como resultado de anos de conflitos em torno dos contratos e das condições de trabalho. (SER PROTAGONISTA, p.249).
Baseados na teoria do “branqueamento das raças”, o governo imperial e a elite brasileira incentivam a vinda de imigrantes europeus (principalmente), que são envolvidos em dívidas sob o pretexto de “fazer a América”. Maus tratos e castigos geraram fugas e revoltas.



Referências Bibliográficas

BBC Brasil. Luta pela Abolição. Disponível em: BBC Brasil. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/resources/idt-sh/lutapelaabolicao  Acesso em: mai.2020
BIBLIOTECA NACIONAL DIGITAL BRASIL. Disponível em: https://bndigital.bn.gov.br/dossies/trafico-de-escravos-no-brasil/resistencia-negra-a-escravidao/  Acesso: maio,2020.
ENSINAR HISTÓRIA. Barão De Guaraciaba. *1826, +1901. Disponível em: https://ensinarhistoriajoelza.com.br/um-barao-negro-no-imperio/ Acesso:mai.2020
ESTUDO PRÁTICO. Barão De Mauá. *1813,+1889. Disponível em: https://www.estudopratico.com.br/visconde-de-maua-historia-de-irineu-evangelista-de-sousa/ Acesso: mai.2020.
GENNARI, Emilio. Em Busca da liberdade; traços das lutas escravas no Brasil. 1 ed, São Paulo: Expressão Popular, 2008.
RODRIGUES, Jaime. O infame comércio; propostas e experiências no final do tráfico de africanos para o Brasil (1800-1850), Campinas, SP: UNICAMP/CECULT, 2000.
SEGUNDO REINADO. Disponível em: https://blogdoenem.com.br/periodo-regencial-historia-enem/ Acesso em: mai.2020
SER PROTAGONISTA. História, 2º ano, 2 ed, São Paulo: Edições SM, 2013, pp;244-258. (Ensino Médio- Conteúdo adaptado)
VICENTINO, Cláudio. Teláris História. 9º ano. 1ed, São Paulo: Ática, 2018, pp.48-72.

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